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Category: Histórias & Entrevistas

Crescer é mesmo necessário?

Café e filosofia

Essa entrevista fala de uma ousada tese para o descrecimento (do Francês Serge Latouche) em nome da sustentabilidade no mundo.

FONTE:http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/070/conversa/conteudo_294277.shtml

As idéias do economista e filósofo francês Serge Latouche se chocam com o estilo de vida dos habitantes das grandes cidades do mundo. Professor emérito da Faculdade de Economia da Universidade Paris XI e do Instituto de Estudos do Desenvolvimento Econômico e Social (Iedes), Latouche ¿ nascido em Vannes, em 1940 ¿ critica vorazmente o crescimento econômico promovido pelos estados. Defende com ardor uma suposta ¿descolonização¿ do nosso imaginário e uma mudança de comportamento mais ativa para salvar o planeta do esgotamento de recursos naturais. O ritmo anda acelerado e estamos consumindo demais, acredita o pensador, que construiu nas últimas décadas toda uma crítica contra a ocidentalização do mundo. Latouche é um dos principais portavozes do movimento pelo decrescimento. Tem vários livros e artigos publicados sobre o tema, inclusive no Brasil. Mas, apesar da visão aparentemente trágica, assume-se como um otimista e acredita na vontade da juventude de viver num mundo melhor.

Como o senhor define o decrescimento sustentável?

Criamos esse slogan em 2002 para ir de encontro ao que todos falavam na época sobre o crescimento sustentável. Era preciso marcar uma ruptura radical, porque o crescimento não é durável. Por isso, nós buscamos esta palavra provocadora: decrescimento. O crescimento pelo crescimento ninguém acha absurdo. Então o decrescimento força as pessoas a pensar: ¿O que isso quer dizer?¿ Quando falamos em decrescimento, falamos em sair de uma religião do crescimento ligada à economia e ao progresso.

É possível alterar essa lógica?

O relatório do Clube de Roma de 1972 já dizia que uma sociedade de crescimento não era sustentável. Muitos sociólogos e filósofos mostraram que ela não era nem mesmo desejada. Como as ameaças se aproximam, torna-se mais visível. O projeto de uma sociedade de decrescimento não é uma alternativa, e sim a libertação de uma ditadura econômica para reinventar um futuro sustentável. Uma sociedade não pode sobreviver se não respeitar os limites dos recursos naturais. Eu proponho um ciclo virtuoso do decrescimento: reavaliar, reconceitualizar, reestruturar, redistribuir, relocalizar, reutilizar e reciclar. Os dois primeiros termos são importantes para colocar em questão os valores comuns em nosso imaginário. Reconceitualizar é mudar nossa maneira de pensar. É uma verdadeira revolução cultural.

Mas como iniciar a mudança?

Precisamos renunciar a essa atitude predadora, ter uma mudança de atitude mental. Não somente um com portamento individual e sim o produto de um sistema. Muita gente já está convencida de que não é preciso destruir todas as espécies para ganhar mais. Entretanto, são forçados pela lógica do mercado, pela concorrência e pelo marketing. Vamos então mudar de programa para depois trocar de computador. Alterar a base de produção e torná-la mais adequada às necessidades do meio ambiente. Buscar a reutilização, a reciclagem.

Nosso ritmo está muito acelerado?

Absolutamente. É necessário dar um basta ao consumo excessivo. Não é somente uma ação individual ¿ porque, se apenas reduzo meu consumo, isso não mudará muito. Temos que mudar o modo de produzir as coisas. Você pode comer um bife em que o gado é criado em pastos naturais ou um bife de uma fazenda que obedece à lógica de mercado. No último caso, você come petróleo. Ele incorpora 6 litros de petróleo. Como isso é possível? O gado é alimentado com a soja que é plantada na Amazônia. Os tratores destroem as florestas, fazem a plantação e despejam os pesticidas. Tudo isso é petróleo. Devemos colocar esse sistema em causa, e não o fato de comermos um bife.

Seremos realmente mais felizes se consumirmos menos?

O consumo traz cada vez menos a felicidade. Vários indícios provam isso. Muitos estudos apontam para o aumento de suicídios e a utilização de antidepressivos. O estresse tornou-se um problema grave em nossa sociedade. Mas ao mesmo tempo somos viciados nesse estilo de vida. Necessitamos de uma terapia.

O mercado de produtos orgânicos indica uma mudança de comportamento?

Aqui na França, as grandes cadeias de supermercados já têm uma linha própria de produtos orgânicos e provenientes do comércio responsável. Essa tomada de consciência é importante porque um dos aspectos destrutivos do meio ambiente é a agricultura produtivista. Tudo o que seja uma alternativa a isso é benéfico. A produção familiar e sem pesticidas é uma das condições para um futuro sustentável.

Mudar a matriz energética pode ser uma das vias de solução?

Como dizia a ministra do Meio Am biente da República Checa: ¿Quando há uma inundação no banheiro, você pode secar com um pano de chão¿. O que eu faço de imediato é fechar a torneira. Enquanto não decidirmos limitar o consumo de energia, todas as soluções de energia renovável não servirão para muita coisa. A primeira coisa a fazer é fechar a torneira.

A geração de agora é capaz de fazer essa transformação?

Em teoria, ela deveria ser menos capaz. Ela já está mais pervertida. O grande problema está na educação. Quais crianças deixaremos no mundo? Como nós deixamos às nossas crianças um mundo estragado, nós deixamos também para o mundo uma geração pervertida. Apesar de tudo, ainda há uma luz de esperança. Vejo uma participação crescente de jovens no movimento pelo decrescimento sustentável em vários países da Europa. Eles se organizam, tomam iniciativas. Eles querem viver num mundo melhor, salvar a humanidade e o planeta.

E qual seria então a mensagem do decrescimento?

A mensagem não é somente reduzir o excesso de consumo e os danos ecológicos, mas também reduzir a quantidade de trabalho. Não é trabalhar menos para ganhar mais. É trabalhar menos para que todos possam trabalhar e viver melhor. Assim, teremos mais tempo livre para gastar com coisas que realmente valem a pena. Escutar música, dançar, jogar, pensar ou mesmo não fazer nada. Mas, ao contrário, nós nos tornamos viciados no trabalho. Os americanos inventaram a palavra workaholic. Nós quase precisamos de um curso de desintoxicação para reaprender a viver. E, nesse ponto de vista, o decrescimento é uma arte de viver.

LIVRO A Ocidentalização do Mundo, Serge Latouche, Vozes

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O que vem pela frente

Lendo um desabafo de uma amiga, que ficou triste ao saber que os florais virão com tudo em 2012, e justamente agora ela está no vermelho, entendi essa amiga, tem estação que não mexe com nossa vontade de comprar enquanto outras nos empolgam completamente. O verão de 2012 promete irreverência, florais, cores citrícas, a influência vem dos anos 70, cores vibrantes e tons neutros com estampas da fauna e flora. Vale também sempre dar aquele toque pessoal, sabe customização? Esse é o lance, inventar. Uma palavra que está em alta no mundinho fashion é Colorblocking, traduzindo: cores em bloco. Usar cores vibrantes se harmonizando entre sí. Preparem os cartões de créditos garotas.

A dica que ajuda muito é: disponibilizar tempo para “bater perna”, pesquisar e experimentar, nem sempre o que tá na vitrine no manequim  radiante, fica legal em nosso corpo, por isso é importante ter tempo e calma para escolher roupas, sapatos e et cetera… Outra dica importante:  não leve homens, namorado, marido, ficante, cachorrinho, crianças, “papagaio”, vai ser um desgaste emocional para ambas as partes,  acredite! Melhor ir com uma amiga que curte esse tipo de programa.

“Pop-arte, incentivo artificial e de tudo um pouco”…

SEU NOME É BRUNO BACHMANN, BLUMENAUENSE, artista visual. DESDE CRIANÇA fazia desenhos, COMEÇOU  NO PAPEL, DEPOIS paredes, muros VELHOS, ATUALMENTE camisetas E  OBJETOS.

OUVIU MUITO NA VIDA  A FRASE: “VAI TRABALHAR VAGABUNDO”!

“TIVE UMA INFÂNCIA  normal COMO TODO MUNDO NESSE começo DE SÉCULO. NÃO cresci em UM ambiente CHEIO DE ARTE E CULTURA, ONDE FUI CRIADO DAVA-SE POUCO incentivo PARA A ARTE. COMO QUASE TODOS OS  pais, OS MEUS QUERIAM QUE EU FOSSE médico, arquiteto, administrador, TUDO MENOS ARTISTA, profissão PENOSA E DE POUCO reconhecimento. MAS O VÍDEO-GAME, OS filmes E OS DESENHOS DA TELEVISÃO COM SUAS CORES FORAM ME FORMANDO. TODO DESENHO contemporâneo TEM BASE NA POP-ART, PRINCIPALMENTE OS japoneses QUE SÃO OS QUE MAIS GOSTO. POSSO DIZER QUE MEU INCENTIVO FOI artificial E DE TUDO UM POUCO CONSTRIBUIU PARA MINHA  formação”. DIZ  BACHMANN.

QUANDO E ONDE FOI A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DOS SEUS DESENHOS?

MINHA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO FOI QUANDO EU NASCI A OBRA DE ARTE DO MEU PAI E DA MINHA MÃE (HEHEHE) JÁ A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DOS MEUS DESENHOS FOI NA FCBLU (FUNDACÃO CULTURAL DE BLUMENAU) EM 2008. E DESDE LÁ NÃO PAREI DE CIRCULAR.

QUANDO SURGIU O DESEJO DE PINTAR CAMISETAS?

CAMISETA É IGUAL CABELEIREIRO, NUNCA VAI ACABAR E JAMAIS VIVEREMOS SEM ELAS.  QUADROS E TELAS SÃO COISAS QUE NÃO AGRADAM A TODO MUNDO, PELO PREÇO E PELO FATO DE SER APENAS “UM QUADRO”, RESOLVI SEGUIR O CONSELHO DE UM AMIGO, QUE DIZIA: “O QUADRO A GENTE NÃO PENDURA NO PESCOÇO OU VESTE”. PARTI ENTÃO PARA AS CAMISETAS, QUE PODEM SER UMA TELA NO CORPO.

APÓS AS CAMISETAS VOCÊ COMEÇOU A PINTAR TAMBÉM OBJETOS INUSITADOS, ISSO CAUSOU  NA MÍDIA, VOCE ESPERAVA ESSE RECONHECIMENTO OU SUCESSO?

SUCESSO É UMA COISA ESTRANHA, PODEMOS SER FAMOSOS E ESTAR SEM NENHUM DINHEIRO NO BOLSO, A MÍDIA É VAMPIRESCA E SE PREOCUPA APENAS COM A IMAGEM, O ARTISTA FICA SEM NADA E A MÍDIA VAI ENGORDANDO. VIVEMOS NUMA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO. SUPERVALORIZAMOS OBJETOS E PESSOAS. O OBJETO PASSA A TER MAIS VALOR QUE O ARTISTA, AS VEZES APENAS O NOME DO ARTISTA PASSA A VALER MAIS QUE A OBRA. SINCERAMENTE APENAS VOU CRIANDO E SOBREVIVENDO NESSE MUNDO INSTÁVEL E ÀS VEZES DESUMANO QUE É O MUNDO DA ARTE.

CONTA PRA GENTE QUAL FOI O DESENHO MAIS INUSITADO QUE FEZ?

JÁ FIZ DESENHOS EM UM CAIXÃO, QUE INCLUSIVE FOI PREMIADO EM BLUMENAU, NO SALÃO ELKE,O MAIS INUSITADO QUE DESENHEI? HUUUM… (PENSANDO) ACHO QUE FORAM CINCO OSSOS SECOS DE PÁSSARO QUE ENCONTREI NUMA PRAIA SOLITÁRIA.

 QUAIS FERRAMENTAS QUE COSTUMA USAR EM SEU TRABALHO?

 CANETA, PINCÉL, DEDO E O QUE FOR PRECISO.

 COMO SE SENTE AO VER PESSOAS POR AI  USANDO SUA ARTE?

 EU FICO SUPER FELIZ DE VER AS PESSOAS USANDO MEUS DESENHOS. GOSTO MAIS DO QUE VÊ-LOS NO MUSEU! FICO FELIZ COM O RECONHECIMENTO, “ISSO DÁ VALOR A EXISTÊNCIA”, COMO DIRIA UM AMIGO MEU.